Máscaras

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“Máscaras” retrata a história de dois homens apaixonados pela mesma mulher. Algo que em tempos podia suscitar algum espanto, estranheza ou mesmo uma certa polémica, mas que se trata de algo bastante comum nos nossos dias e no nosso quotidiano e que pode acontecer a qualquer um de nós “comuns mortais”. O que leva a uma certa identificação do espectador ao tema tratado.

Por um lado, um «arlequim» ousado, atrevido, com um discurso bastante convincente e atraente e, que não tem medo de “roubar” um beijo à amada. Aquele «arlequim» que toda a mulher deseja ardentemente mas que não dá sossego ao coração, como o faz o «pierrot» triste, romântico e menos ousado e atrevido.

Aquele «pierrot» que toda a mulher sonha mas que sossega por demais os nossos corações, deixando espaço e abertura para os «arlequins» da vida.

Por outro lado ainda, uma mulher bonita, de contornos atraentes, de gestos suaves e voz doce. Contudo, indecisa e dividida entre os dois grandes amores da sua vida, «entre um beijo de arlequim e um sonho de pierrot».

No decorrer da peça momentos de música e dança vão demonstrando os sentimentos que se quer exaltar.

No final uma mistura de sentimentos, “sussuros”, desejos, falas e entregas por parte dos actores, ao mesmo tempo que se comunicam com a plateia transmitindo uma vibração bastante positiva.

A boa organização da peça ficou sentida em todo o empenho e dedicação por parte de todos os participantes, seja dos actores, dos dançarinos, responsáveis pela encenação, coreografia, iluminação, cenário, figurinos, etc.

O tema foi abordado de forma suave e conseguindo captar a atenção do espectador comum, mesmo tendo em cima a responsabilidade da interpretação de um texto poético. A forma directa e breve com que o decorrer das “cenas” foram organizadas também facilitou neste aspecto.

De destacar ainda o uso de algumas expressões do quotidiano, expressões comuns de forma a provocar o riso e momentos de descontracção quebrando a monotonia que o discurso poético pode as vezes criar. Nunca um “Chiça” teve melhor momento. Ou mesmo a expressão da música do rapper Boss Ac: “Baza, baza…”

Em suma, a criatividade e originalidade na forma de tratamento do tema e a pertinência e familiaridade do mesmo, são aspectos a serem destacados.

A “junção” final teve resultados bastante positivos, pelas cores e mistura de tons, a música e o ambiente criado, o espaço usado e sentimentos exaltados e captados.

Tendo em conta a primeira apresentação da peça no último “Mindelact” pode-se afirmar que a mesma passou da formação do “embrião” ou do “feto” (passa-se a citar o actor João Branco) para o nascimento de uma criança que se for bem socializada não deixará ficar mal os demais frutos desta companhia de teatro que tão bem tem dignificado o nome do teatro cabo-verdiano. De fazer referência ainda, a colaboração da “Companhia de Raiz di Pilon” que também muito tem contribuído para o enriquecimento da cultura cabo-verdiana.

 

 

Patrícia Monteiro

 

 

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